A mensagem chega com seu nome, o número do processo e uma notícia que você aguardava: o dinheiro estaria liberado. Em seguida, aparece um pedido de Pix para concluir o procedimento.
Conhecer detalhes reais do processo não prova que o contato é legítimo. O primeiro cuidado é confirmar a informação por um canal independente, antes de pagar, clicar ou enviar documentos. O CNJ relata golpes que usam dados pessoais, números de processos e documentos com aparência oficial.
Quais sinais merecem atenção imediata?
A combinação de promessa de liberação, urgência e cobrança inesperada é especialmente preocupante. Outros sinais são troca repentina de número do advogado, pedido de segredo, conta de terceiro sem explicação e resistência à confirmação pelos canais habituais.
Erros de português não são um critério suficiente. Mensagens fraudulentas podem ser bem escritas e usar fotografias, marcas e informações verdadeiras.
Da mesma forma, uma chamada de vídeo ou uma voz parecida não deve substituir a conferência por um contato já conhecido.
Como confirmar sem depender da própria mensagem?
Use um telefone do escritório que você já tinha salvo ou procure o contato no site oficial do tribunal. Não use apenas o número fornecido pelo remetente suspeito.
Pergunte se houve a movimentação mencionada e peça a referência no processo. Se a pessoa afirmar ser seu advogado, confirme com o escritório antes de continuar.
A campanha da Justiça Federal divulgada pelo CNJ alerta para cobranças destinadas a agilizar recebimentos. A promessa de pagar para furar uma ordem legal é um sinal para interromper a conversa.
Toda despesa é golpe?
Não. Uma negociação privada pode envolver custos legítimos de formalização e serviços contratados. O cuidado é distinguir essas despesas de uma cobrança inesperada para supostamente “liberar” dinheiro judicial.
Uma despesa legítima deve ter finalidade, responsável, documento e condição de cobrança verificáveis. Não aceite uma descrição vaga de “taxa obrigatória” enviada sob pressão.
Confira o artigo sobre taxas e honorários para entender essa diferença.
Como proteger os documentos?
Antes de enviar, identifique a empresa, a finalidade e quem terá acesso. Dados públicos do processo não tornam qualquer uso posterior automaticamente adequado. Finalidade, necessidade e transparência são princípios explicados pela ANPD em seu glossário de proteção de dados.
Compartilhe apenas o necessário à etapa. Informações médicas, documentos de familiares e dados bancários não devem circular sem justificativa.
Nunca forneça senha, token, código de autenticação ou acesso à conta gov.br para “consultar seu precatório”. Se houver assinatura eletrônica, entenda o documento e o ambiente utilizado antes de confirmar.
Uma empresa registrada está automaticamente validada?
Não. Conferir o cadastro é útil, mas não comprova a identidade de quem está falando nem a capacidade de cumprir a proposta. Uma fraude pode usar o nome de uma empresa real.
Cruze informações: canal oficial, representante, contrato, beneficiário da transferência e documentação. Número de seguidores e avaliações também não substituem essa verificação.
E se eu já tiver pago ou enviado dados?
Interrompa novos pagamentos e preserve mensagens, números, comprovantes e documentos. Avise imediatamente sua instituição financeira sobre a suspeita e peça orientação sobre as medidas cabíveis. Registre a ocorrência e informe o advogado ou órgão cujo nome foi utilizado.
Se compartilhou credenciais, troque-as pelos canais oficiais e revise acessos. A rapidez ajuda na resposta, mas não há garantia de recuperação de valores.
Não tenha vergonha de relatar o que aconteceu. Golpes exploram confiança e expectativa de recebimento; buscar ajuda cedo é mais útil do que enfrentar o problema sozinho.
Para conversar com a Banlex: use canais cuja autenticidade você tenha confirmado e peça identificação de quem atende. Antes de negociar, consulte também como localizar o andamento oficial.
Conteúdo informativo. Fontes verificadas em 30/09/2026. A análise depende do processo e das condições da operação.